Diário de bordo Expedição Atacama

Dia 12 - Mendoza a Santiago-ARG

05 janeiroBig Trails da Chapada




Hoje é um dia especial. Partimos de Mendonça sentido à Cordilheira dos Andes, em Santiago. Esse trecho da Cordilheira era um momento muito esperado por todos nós por vários motivo –  pela mística, pela beleza das montanhas, pelo desafio das curvas e da altitude – foi um dia que a gente esperava muito.


Logo quando chegamos em Mendoza, nós tivemos a informação que a fila na Aduana chega a durar entre 6 a 7 horas. Então saímos um pouco mais tarde de Mendoza, por volta de meio dia, com o intuito de chegar lá na Aduana no final da tarde, onde a fila provavelmente seria menor. Já que só escurece nessa região por volta de 20:40h, 20:50h.

Essa é uma dica importante: Sempre procurem antes como está a travessia e antecipe qualquer contratempo.

Nossa rota começou da seguinte forma: saímos de Mendoza, fomos até Uspallata, abastecemos, tomamos algumas informações e seguimos. Uspallata está a 114km de Mendoza,  então é importante abastecer lá porque depois fica mais complicado. Depois passamos por Los Penitentes, que já fica perto da fronteira. A paisagem desse lugar é espetacular! Tem lagos, muita montanha e até um pouco de neve nos picos. Uma estrada deslumbrante! E de moto ainda mais, porque conseguimos perceber melhor a paisagem, é um prazer realmente incrível!


Chegamos ao túnel Cristo Redentor, que é exatamente o túnel que faz a travessia da fronteira. É um túnel de 3km que liga a Argentina ao Chile. Nesse ponto ficamos a uma altitude de 3180 metros. Sentimos que as motos perderam um pouco de potência por conta do oxigênio rarefeito, e isso é bem comum por conta da dificuldade maior na combustão. As motos que mais sentiram foram as Transalps, depois as bmw 800 GS. Já a bmw 1200 um pouco menos, mas ainda assim dava pra perceber. É bom frisar que nestes momentos de subida, as motos precisam de um tempo para se acostumar, não adianta apertar muito o punho que a potência não vai vir. A sonda lambda da moto precisa entender qual é a nova mistura (combustível + oxigênio), fazer a adequação da queima que aos poucos a moto volta a potência normal.



Fizemos a travessia do Cristo redentor, rodamos mais uns 8km depois que saímos do túnel e chegamos a fronteira. Graças a Deus, o plano deu certo e pegamos a fronteira mais vazia, mesmo assim, foram duas horas esperando na fila. A fronteira é mista e lá tem uma cabine dupla, damos entrada no Chile ao mesmo tempo a saída na Argentina.  Eles são muitos exigentes e pedem vários documentos: habilitação, identidade, checa sobrenome, o nome do pai e da mãe, pedem o documento da moto – quem não está com a moto no nome precisa da carta de autorização –  essa é só a etapa do registro, depois a gente passa por outra área onde eles vão fazer a revista das motos. Na revista da moto é preciso abrir as malas e tirar tudo. O controle rigoroso nessas fronteiras são por vários motivos, por conta da produção de vinho, da pirataria etc. Terminado as revistas, pegamos nossas motos e partimos.




Imediatamente depois da fronteira veio o ponto mais emocionante da travessia, a passagem pelos Los Caracoles. Não sabemos explicar muito bem o que é que acontece, mas a descida dos Andes pelos Los Caracoles é extasiante, a gente realmente não controla a emoção. Descemos todos juntos, filmando e fotografando. Vale a dica: a melhor foto dos Los Caracoles é na curva 17! Todas as curvas (que são 31) são numeradas, e na curva 17 temos a melhor paisagem da descida.



Vale registrar que é bom separar um tempo para observar. A paisagem é deslumbrante! A energia é muito boa, uma das melhores emoções que podemos ter na vida e, sem dúvida, até agora, foi o lugar mais impressionante que a gente passou.



Logo depois que a gente desce a Cordilheira dos Andes toda, a gente sai de 3200 e chega a altitude de 1000 metros. Tem muita curva nesse ponto, e transito intenso. Então é bom redobrar a atenção. Fora isso, a é uma pista gostosa de pilotar.

No final de Caracoles, temos os postos de serviços e vale repetir a dica de sempre: abasteçam. Principalmente pra quem tem pouca autonomia, depois desse ponto só vai haver parada de abastecimento 70km a frente, já na entrada de Santiago.

Chegamos em Santiago aproximadamente às 20:45h da noite, estava começando a escurecer ainda. Escureceu completamente quando a gente já estava dentro do anel viário da cidade chilena.
Paramos para abastecer e como estávamos com muita fome, resolvemos comer alguma coisa por ali mesmo, do lado do posto. Neste momento três pessoas pediram a gente para não parar. Alertaram para não deixar nenhuma moto sozinha e se pudéssemos adiantar era para fazer isso porque realmente não era seguro alí. Não sabíamos, mas essa região periférica do anel viário a noite é muito perigosa.

Em Uspallata a gente conheceu um casal que estavam fazendo uma viagem de 30 dias. Eles estavam viajando em uma Tiger 1200cc e nos acompanhou até Santiago.





Na fronteira fizemos amizade com um Argentino, de Mendoza, chamado Nico, que deu muita dica pra gente, muita mesmo! Conversamos muito sobre Santiago na fronteira, ele desceu com a gente dando várias dicas de como chegar, onde se hospedar etc.

Depois que chegamos em Santiago fomos em direção ao bairro de Providência que é definitivamente o melhor lugar para ficar, tem vários hotéis e é próximo ao Costanera Center, o maior prédio de Santiago, onde também tem um Shopping.


Foto: Google


Conseguimos se hospedar, e como estávamos muito cansados, resolvemos sair só para comer  e voltamos para dormir.

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