Diário de bordo Expedição Atacama

Dia 16 - La Serena a Antofagasta

09 janeiroBig Trails da Chapada




Neste dia nós saímos as exatas 7h, o sol ainda estava nascendo. O desafio era grande, 930km pela frente e boa parte disso era puro deserto. Tínhamos a opção de ir pela rota Pan-Americana,  mas preferimos seguir o caminho inicial da Costanera (costa do Chile), por causa do fluxo menor de carretas, além de ser uma estrada muito mais bonita.


De cara percebemos a beleza que era o pacífico e seus penhascos (do lado esquerdo) contrastando com a paisagem desértica (do lado direito). Curioso também é ver esse deserto sem nenhum tipo de vegetação bem próximo ao mar, enquanto no Brasil os litorais são abundantes em mata atlântica.
A viagem foi tranquila até metade do caminho. Depois que saímos da costa pegamos um trecho de subida que chega a aproximadamente 1800 metros de altitude, que é quando começa a entrar literalmente no deserto.

Retas muito longas e altitude alta é uma combinação ruim.

Quem pilota por essas estradas precisa ficar alerta. Com a dificuldade de oxigênio, causado pelo ar rarefeito, o corpo diminui o metabolismo e tende a economizar energia entrando em repouso absoluto. A paisagem que não muda – o mesmo tom de bege e marrom – também é um acréscimo de risco. Conhecido como o feitiço do deserto, a paisagem bucólica, o cansaço e altitude são as combinações perigosas que vão resultar em sono. A gente até ouviu algumas histórias de pessoas que dormiram em cima da moto, inclusive de brasileiros. Então redobramos o cuidado nesse trecho e fizemos paradas de 100 em 100 quilômetros – ao invés de parar de 200 em 200, como estávamos fazendo.

Dica: Quando estiver viajando por esse trecho e o sono estiver apertando, procure uma boa estrada de terra na beira do asfalto, desça, role em pé na moto, brinque um pouco ali na areia e depois volte para o asfalto. Dessa forma a adrenalina sobe e você volta ao estado de alerta.

Antes de chegar em Antofagasta encontramos um dos pontos mais legais da viagem: A Mão do Deserto. A Mão é uma escultura que virou o símbolo maior do deserto do Atacama. Não fica exatamente no centro do deserto – o coração do deserto é San Pedro e a gente ainda vai chegar lá – mas é sem dúvida um símbolo forte.

Localizaido a uns 75km antes de Antofagasta, a Mão do Deserto é talvez o que mais representa o Atacama.

Na escultura encontramos muita gente, incluindo vários brasileiros, fazendo também o percurso do deserto. Não ficamos muito tempo lá, tiramos algumas fotos e saímos porque o vento estava insuportável.


A viagem correu bem, chegamos a Antofagasta – que é uma cidade riquíssima – um pouco depois  das 19h. A cidade fica ao norte do Chile, encostada na Cordilheira, é muito bem organizada, tem um porto e é forte na exportação de cobre. Dá para perceber uma pungência comercial muito boa.

Lá, como a gente já tinha reservado o hotel, não teve problemas para achar acomodação.

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